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Procedimentos delicados na prática da prótese dentária - parte 2

  • Foto do escritor:  PAULO ROSSETTI
    PAULO ROSSETTI
  • 5 de mar.
  • 4 min de leitura

A Odontologia é ciência e arte. Foto. I.A.
A Odontologia é ciência e arte. Foto. I.A.

Quando a "fase 1" do tratamento (leia o post anterior) estiver finalizada, precisamos colocar a "mão na massa". Isto significa fazer preparos dentários (parciais ou totais), as reconstruções, os núcleos, os pinos, e finalmente, aperfeiçoarmos o desenho das coroas provisórias para que o tecido gengival ou periimplantar se torne estável.


Essa palavrinha, "estável", é um processo de tentativa e erro, especialmente quando há dentes e implantes na mesma arcada.


Ainda, é comum que as margens das coroas provisórias sejam "desafiadas", especialmente pela quantidade de placa, cáries recorrentes, e infiltrações.


Nessa etapa, os desafios serão outros, e não menos importantes:


Reconstruções, moldagens & moldes, modelos


Reconstruções dentinárias

  • deve haver um equilíbrio entre a quantidade de estrutura dentária remanescente, a altura do seu preparo, e o espaço interoclusal; não entre nessa fase sem antes ter verificado a espessura de todas as paredes da sua restauração provisória com um calibrador já que algumas áreas não poderão receber o material de suporte e o material de recobrimento estético.

  • com frequência, não haverá tanto remanescente dentário assim; uma investigação precisa da quantidade de férula, presença ou não de trincas dentárias que se estendem ao longo das raízes, e se as cáries comprometem a longevidade da raiz dentária são fatores importantes no diagnóstico do seu dente como pilar de uma prótese parcial fixa.

  • o isolamento absoluto do campo operatório é fundamental na obtenção de uma boa adesão durante os procedimentos de reconstrução; pratique o domínio dos grampos, da fita teflon, das matrizes, e outros dispositivos.

  • em muitos casos, o remanescente coronário possui zonas mistas de dentina, esmalte, resina composta, e outros biomateriais; crie um mapa de localização na ficha do paciente (faça os desenhos) e não se esqueça de colocar os tipos de adesivos e destacar os componentes que podem interferir na polimerização ou liberarem compostos residuais.

  • os vasoconstritores dos anestésicos podem influenciar a qualidade da sua adesão no momento da reconstrução; este é um fato científico que não pode ser descartado.

  • outro fato importante: adesivos de passo único podem se comportar como membranas semipermeáveis e contaminar a área de adesão

  • nos últimos anos, um dos procedimentos mais sensatos no binômio reconstrução / adesão foi recomendar o selamento imediato, recobrindo toda a área dentinária, também conhecido como "resin coating ou dual boding technique".

  • pinos e núcleos podem se soltar até que haja um equilíbrio entre a quantidade de material de reconstrução, o desenho da restauração, e os contatos oclusais / hábitos parafuncionais.

  • as imagens radiográficas das reconstruções revelam materiais que possuem radio luminescência; do mais, a sensação de "vazio" será constante.

  • na remoção das coroas provisórias, a limpeza das áreas reconstruídas pode ser um tormento em matéria de tempo; o uso de cimentos que facilitem esse processo é primordial.

  • é normal que as margens das coroas provisórias fiquem assentadas sobre a dentina remanescente, e raramente sobre o esmalte, em preparos para coroas totais; o trabalho de tecnicamente "vedar" essas margens não impede que os materiais de reconstrução mudem levemente de cor ao longo do tempo

  • o processo de infiltração não faz distinção entre dentes vitais e dentes tratados endodonticamente.

  • tenha sempre em mãos uma lista de procedimentos de adesão e reconstrução para cada tipo de material / adesivo / resina / cimento

Moldagens & moldes

  • o desejo de uma gengiva saudável depende dos contornos da sua restauração provisória e da capacidade do seu paciente em remover a placa (biofilme).

  • nem todos os sulcos gengivais são amplos para fios de afastamento calibrosos.

  • é fundamental que a "leitura do molde", especialmente das linhas de término do seu preparo (parcial ou total), seja nítida e tranquila; caso contrário, você coloca o seu técnico de laboratório em "estado de tensão" quando ele/ ela delimitarem e recortarem as margens desses troqueis.

  • use e abuse do recurso periodontal que mais salva a nitidez das linhas de término: o procedimento de RAI (interface alvéolo / restauração) que obedece às regras da Física: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.

  • a única maneira de conter a liberação das tensões internas nos materiais de moldagem, independente das suas consistências e formulações químicas, está na rigidez da parede da moldeira (metálica lisa, perfurada, ou plástica melhorada).

  • há pacientes favoráveis para moldagens de todos os dentes, enquanto há pacientes favoráveis para moldagens em quadrantes; aceitar esse fato é uma grande virtude.

  • pacientes com problemas periodontais possuem áreas interproximais maiores; isole-as / bloqueie-as para evitar os moldes que não se despegam dessas áreas, especialmente quando os materiais de moldagem são mais rígidos após a cura.

  • casos clínicos com implantes dentários e preparos dentários podem ser capturados na mesma sessão clínica; entretanto, o rebote do material de moldagem não será o mesmo, o que nos levará aos pequenos ajustes proximais e oclusais na etapa seguinte.

  • o escaneamento intraoral dos preparos dentários e dos implantes dentários (com os scanbodies) é um processo criado para ganharmos tempo, mas não estará livre de intercorrências.


Modelos em prótese dentária

  • uma maneira terrível de anular todos os procedimentos acima é não saber se o seu gesso é compatível com o seu material de moldagem.

  • gessos odontológicos também são materiais viscosos e propensos às bolhas de ar; compre o seu dispositivo espatulador à vácuo ou tenha certeza que o seu laboratório preferido faz uso dele.

  • o seu modelo de gesso deve ser 99% igual ao que está na boca do seu paciente, principalmente quando você necessita de uma boa ideia da anatomia do rebordo alveolar e dos limites das áreas de suporte.

  • nunca comece o processo de alteração nos modelos de gesso sem antes ter confeccionado as matrizes de silicone; faça quantas forem necessárias e use-as para compreender quais reduções são técnica (e biologicamente) possíveis.

  • você pode reduzir o número de modelos de gesso se usar uma câmera de escaneamento intraoral; também, é fato que os modelos de gesso pesam mais que os modelos de resina impressa 3D.

  • modelos de gesso devem ficar com suas superfícies oclusais voltadas para cima e não em contato com a bancada; isso não é uma lenda urbana.

  • use qualquer cor de lápis demarcável no seu modelo de gesso (especialmente nas áreas preparadas), menos a cor preta.

  • é possível indexar os modelos de gesso no articulador, mas é melhor ainda garantir que esse tipo de indexação seja removível e retornável o mais próximo do que existe na boca, sendo ele feito manualmente com cavidades de orientação ou dispositivos de encaixe magnéticos, pré-fabricados ou não.


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